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fragmento do texto “Camélia – o que há de mais precioso”

Por 8 de março de 2017Manifesto
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“Nunca entendi política. Nunca gostei. Nunca fez sentido para mim. De repente eu vivia num império, que vira uma república, depois se torna um estado alemão… Vou para Cuba, é um paraíso, depois vira um lugar horrível onde eu vi homens fardados arrancarem instrumentos de uma banda de jazz no meio de uma apresentação, porque o saxofone era um instrumento imperialista. Política para mim, sempre foi uma daquelas brincadeiras entre homens que me faziam o menor sentido.

O dia Internacional na Mulher é uma conquista política das mulheres russas; eu fiquei 05 dias ouvindo sobre isso, sei tudo de cor e salteado. Quando eu era criança, tinha 11 anos, em Viena, vi milhares de mulheres se manifestando por melhores condições. Achei muito bonito aquilo: milhares de mulheres. Eram mulheres que queriam algo que eu não fazia ideia do que era, mas eram diferentes de todas as mulheres que eu conhecia e não queriam nada. Talvez tenha sido na Rússia que tenha percebido que eu era realmente internacional, com meus sapatos de couro, e as mulheres russas com tecidos amarrados nos pés, porque não havia sapatos. A política não permitia. Como eu ia entender isso?

Depois fui para o Japão e lá entendi que eu era mulher. Sob os olhares rasgados e sendo tocada com toda a delicadeza de uma mestra ceramista, eu percebi que o “8” do mês de março, na verdade é o símbolo do infinito. Ser mulher é uma condição infinita. Eu nunca me amei tanto, quanto o que fui amada na ponta daqueles dedos.”

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