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Ruth Escobar

Por | Palco Pesado | Sem comentários

Ruth Escobar está morta.

Eu tenho tanto para falar sobre ela. E tão pouco. Porque eu nunca a conheci. Sei de suas histórias. Suas aventuras amorosas, loucuras sexuais, devaneios e coragens. Pelos deuses, quanta coragem!

Acredito que tudo de ruim que possa ser dito sobre ela, é menor que tudo que possa ser dito de ruim sobre muita gente. E acredito mesmo, que tudo isso é pequeno diante do que ela fez, e do que poderia ter feito se tivessem lhe dado apoio, e um pouco de justiça.

Se eu estou fazendo o que estou fazendo, que é pouco diante de tudo que quero fazer, é porque pessoas como ela permitiram que esse pensamento pudesse existir.

Ela colocou o Brasil no Mapa de Teatro do Mundo. Isso não é pouco. É mais que todos os governos e políticos conseguiram fazer desde o Brasil Império.

A foto é da montagem de O Balcão, que ela permitiu destruir todos os andares do seu teatro, para que o cenário pudesse ser feito de acordo a visão do diretor.
Não vou colocar nenhuma foto dela, porque ela sempre soube que o Teatro é maior do que ela. É maior do que todos nós.

Obrigado Ruth Escobar.
Que você incomode, onde você estiver.

Leonarda Gluck por Natalia Marques

(para Leonarda Glück)

Por | Palco Pesado | Sem comentários

“Estava insatisfeita. Como se fosse condição comum. Como uma segunda natureza. Como se não bastasse ter nascido. Como quando diante do espelho pensou que talvez uma outra coisa fizesse mais sentido. Como diante dos últimos dois dedos de conhaque. Como esperando que aquele corpo ao lado do seu ficasse menos flácido. Como na incerteza do eterno último cigarro. Como aquele vinho que repousa no carvalho, ansiando por pequenas partículas de oxigênio. Como que querendo aplausos, abraços, ou pelo menos um olhar de sinceridade.
Estava insatisfeita. E isso a fazia cada vez melhor.”