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A minha Pequena Sereia

Por | Andersen, As Extraordinárias - Teatro de Rua | Sem comentários

Essa foto fui que tirei. Eram quase cinco da manhã, eu tinha acordado às quatro, e tinha andado muito por uma Copenhague vazia. Haviam bicicletas, flores, e toda uma cidade estrangeira para ser vista. Eu nunca tinha estado fora do país, e aquela era a primeira manhã num mundo tão distante. Debaixo dos caracóis dos meus cabelos longos, corriam pensamentos e medos. Estava próximo de ficar 15 dias trancado em Holstebro fazendo teatro das 06 às 17h, com direito a espetáculos e sorrisos e cantorias todas as noites. Estava bem próximo de estar feliz e sabia disso.

A estátua estava sozinha até eu chegar e fiquei pouco tempo. De verdade? Ela é sem graça, é pequena, é simples.
Mas, de verdade? Ela é linda! Não só pelo cuidado que o escultor teve na sua calda, e no perfil do seu tronco. Encontrei uma vez seios parecidos com os dela, que me encheram os olhos de lágrimas, eram lindos. Mas acho que essa é uma história que não cabe aqui.

Ela é linda também pela sua poesia. Por ser uma estátua que olha para o mar, que olha para o lugar que ela nunca irá voltar… Um lugar que um dia chamou de lar.

Ela e sua coragem triste. Ela e seu amor só seu. Eu não a invejo e nem a idolatro. Mas como eu a respeito!

Ela é linda porque acho maravilhoso que uma história contada por um frágil dinamarquês conseguiu se materializar. Eu tentava fazer o mesmo, tentava transformar minhas histórias em estátuas, estátuas-vivas. Tentava ser mais que um criador de histórias e cenas, tentava criar memórias. E ela estava ali, na minha frente. Quase de costas para mim. Eu não importava para ela. E isso me obrigava a pensar em mim mesmo.

Coloquei sua história nas minhas próprias peças, algumas das mais bonitas. Coloquei no Carteiro de Bonecas; coloquei no Ori-Othello (que ainda não consigo definir seu nome final); e que tentação eu sofro de colocar nesse novo trabalho. Mas acho que isso não acontecerá.

Minha Pequena Sereia me ensinou uma coisa. Uma coisa só minha e só para mim. Acho que está na hora de aprender algo mais.

Que venham então essas novas histórias e essas novas dores.

Muito prazer, sr. Andersen. Nós somos As Extraordinárias!

Nós & Andersen – um encontro extraordinário

Por | Andersen, As Extraordinárias - Teatro de Rua, Chão e Calçada | Sem comentários

Muito se conhece de Andersen, pouco se sabe sobre ele.

Não há apenas um motivo simples e direto que nos motivou a levar um pouco desse homem e um pouco sobre esse homem para as ruas.

Não é apenas o fato dele ser mais influente que os Beatles na formação da cultura popular – e não só porque ele também influenciou os Beatles, como também influenciou Walt Disney, e Shakespeare, (e convenhamos… se alguém influenciou os Beatles, Disney e Shakespeare… essa pessoa influenciou o mundo!) como influenciou diversos monarcas e chefes de Estado… Mas talvez seja para tentar entender tudo isso: “como é que um simples homem (simples, mas complexo) pode produzir uma obra tão vasta com um alcance tão extenso?”.

Não pretendemos responder nada sobre Hans Christian Andersen. Queremos conhece-lo. Queremos apresenta-lo. Queremos que nosso público se encante como crianças. Como milhares de crianças foram se encantando ao longo dos séculos. Queremos apenas ser os porta-vozes desse homem extraordinário.