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PORQUE TURMA DOS AMIGOS DA LUA

Por | Turma dos Amigos da Lua | Sem comentários

Quando eu quis montar um grupo de teatro infantil, eu não queria um “Grupo”. Nem uma “Cia”. Eu queria outra coisa…

Quando eu comecei a fazer teatro “Cia” era algo mais empresarial, onde uma ou algumas pessoas eram “donas” e outros atores faziam participações especiais, cumpriam algumas temporadas e iam em embora. “Grupos” ou “Coletivos” eram formados por afinidades estéticas ou políticas – os integrantes se suportavam em prol de algo maior – grosso modo –

Eu queria uma “Turma”: Gente que se gosta. Gente que briga porque se gosta. Gente que se suporta porque se gosta. Gente que faz Teatro junto porque se gosta.

E eu queria que a amizade fosse maior que a estética e a ética. Queria o tipo de gente que pensa: “se eu não for ao ensaio, meu amigo vai se dar mal. Ele precisa de mim para ensaiar”; “É melhor eu levar mais um desse negócio aqui, porque sei que tal pessoa vai esquecer”. Gente que prefere dar um beliscão em cena no amigo para ele falar alto, do que discutir se deve ou não manter tal ator no grupo. Gente que “rouba” o sapato da personagem e deixa na cena, só para a pessoa “ficar esperta”… Gente que possuí laços, gente que perdoa – “porque ser amigo é saber perdoar” diz o nosso primeiro texto.

E “Lua”… bem… é porque a Lua é tão lindinha…

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Por | Contos Curtos | Sem comentários

(encontrei esse texto numa agenda de 2005. não faço a menor ideia do que se trata)
“O frio atravessava o tecido, a trama de lã, o algodão. Se fincava na minha pele. Parecia agulha. Era como centenas de agulhas atravessando minhas costas, peito, braços.

Eu estava agachado para ter menos corpo disponível. Minhas mãos tremiam, segurando o revolver do meu pai. Eu sabia que tremiam de frio. Só podia ser. Eu não estava com medo. Eu tinha certeza que precisava matar aquela mulher.

Por cima dos meus dentes batendo, consegui ouvir um carro parando. E uma porta abrindo e fechando.

Precisava ficar em pé rápido, antes que fosse tarde demais. O frio não deixava, as pernas doíam, meus músculos estavam congelados.

Levantei como pude. Mirei como pude. Atirei como pude. Errei, como eu pude?

Tentei correr. Mas não consegui. Era tarde demais.”

Ann Clann

An Chlann Aoidh – I

Por | Informes & Relatórios | Sem comentários

Bem vindos ao primeiro informe oficial da Ronaldo Ventura 2018!
Enquanto não voltamos com nossas atividades normais, vamos ao pouco saber o que nos aguarda nesse ano novo!
Temos tanta coisa nova para esse ano, que achamos melhor começar pela tradição:

WORKSHOPS DE FÉRIAS

Oficina do Teatro Curupira

tema: Treinamento Físico para os Arquétipos.

Dias 22 a 26 de janeiro.

Workshos do Núcleo Epifa(nee)
Dia 29/01 – Teatro Coreográfico
Dia 30/01 – Dança Teatro
Dia 31/01 – Mímica & Teatro Físico
Dia 01/02 – Butoh
Dia 02/02 – Circo pra Teatro
TODOS OS CURSOS DÃO CERTIFICADOS.

SEMPRE DAS 19H às 22h

Local: UFABC – Campus SBC – Alfa2

É NECESSÁRIO FAZER INSCRIÇÃO
Informações e inscrições: cursos@ronaldoventura.com

 

Swimmer Doing Backstroke --- Image by © Tim Pannell/Corbis

Por | Contos Curtos | Sem comentários

“Ele estava em uma rampa de acesso, olhando para a piscina, incomodado com o calor do lugar fechado, com o cheiro de cloro que ardia o seu nariz e seus olhos.

Ela estava na piscina, treinando velocidade, tentando ser mais rápida.

Ele se perguntava porque estava ali, porque tinha vindo de surpresa, porque ver o sorriso dela se tornara tão importante assim.

Ela tinha outra preocupação. A preocupação dele era olhar para aquela mancha ia de um lado para o outro na piscina, e tentar entender porque gostava de vê-la assim: com um maiô, que apesar de apertar todo seu corpo, não a deixava sexy, a deixava linda. Com aquela pele com uma textura estranha por causa dos produtos na água. Com o seu cabelo, que depois de sair daquela touca ridícula, ficava todo emplastado, e era bonito de se ver. Ele já a viu em outras situações, já a viu usando vestido de noite, com cabelo arrumado, maquiada o suficiente, um lápis, um batom, com brincos e etc. E ela estava maravilhosa! Mas assim, agora, lhe dava a impressão de ver como ela era de verdade: Coordenada, ágil, rápida, graciosa.

Ela ao sair da piscina, estava cansada, um pouco frustrada pelo resultado.

Ele percebeu que, ela fora do seu elemento natural, continuava linda, com aquele maiô, aquele brilho estranho na pele, aquela cara cansada, mas feliz por fazer o que gosta, e fazer bem. E foi ao encontro dela.

Ela o percebeu, e abriu um enorme sorriso verdadeiro, como a muito não fazia.

Ele chegou perto, com uma vontade irresistível de molhar a roupa, e sentir aquele hálito de cloro dentro da sua boca.”

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Por | Contos Curtos | Sem comentários

“Sabe tio, naquele shopping tem um quiosque de doce, e a filha da dona paga o maior pau pra mim. E olha que ela sabe que sou favelão, que sou engraxate, e tudo. Ela é feinha, sabe? Mas é gostosa! Tem uns peitão! Pra quatorze anos tá bom. Mas eu casava com ela! A mãe dela tem muita grana, só se vê a Dona Cora andando de Corsa novo por aí, é! Eu chego lá, ela me dá uns doces, me olha com aquela carinha estranha, aqueles dente torto… o nome dela é Mirela, parece nome de margarina, não parece? Eu falo isso, e ela vira o cão, eu só dou risada… ela é legal… só é feia…. Sabe tio, eu preciso fazer vintão até sexta, porque quero por um piercing, e a promoção só vai até sexta, aí eu vou ficar lindão! Então vou chegar na Mirela e vou falar: Olha minha manteiguinha! Olha o seu Maicou como ficou lindão! Agora a gente pode ficar junto! Eu casava com ela! Não é só pelo dinheiro não! É pelos doces também!”

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Capixabas Crônicas / Crônicas Capixabas – 02

Por | Contos Curtos | Sem comentários

“Ele pagara as contas da luz, água, celular, internet, e a do cartão. Só não pagou a do gás porque ainda usava bujão. Mas isso vai mudar, disse uma vez Janete, cansei dessa coisa feia e suja, não quero nem saber mais se está vazando. Mês que vem, ou você encana o gás, ou leva um cano meu! Ameaçou Janete. Cidinho sabia das coisas. Janete ainda fazia alguma comida durante a semana, ele não queria perder esse prazer. Já estava cansado das pizzas, hot-dogs, beirutes, e o que mais entregassem na sua casa, mas Janete estava mais cansada que ele para ficar em frente do fogão. Cidinho lhe dava atenção, pagava suas roupas, não reclamava quando ela saía para dançar com as amigas, e não comentava que se ela estava tão cansada assim, devia era ficar em casa. Cidinho era um bom marido. não traía, nem nunca pensara nisso; e quando Janete não estava disposta, nem insistia no sexo, que praticava sozinho e escondido. Cidinho era bom para Janete, sabia disso. Mas as vezes ser um homem bom não é suficiente, ele pensou quando decidiu que sim, mês que vem, ia mandar encanar o gás. “

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Ontem eu tentei o suicídio

Por | Contos Curtos | Sem comentários

“Ontem eu tentei o suicídio:
Atravessei a avenida sem olhar para os lados.

Abri o microondas antes de apitar.

Comi toda a salada.

Chamei o judoca de fresco.

Passei por baixo da catraca do ônibus.

Passei a mão na bunda do guarda.

Tomei leite com manga.

Pus a mão na taturana.

Dei a minha mão pro cachorro da vizinha cheirar.

Respirei fundo com a cara enfiada no pote de mostarda.

Pisei descalço na bituca de cigarro.

Competi com o evangélico que apenas mudou de droga.

Li Marcelo Mirisola em voz alta.

Comprei quebra-queixo.

Andei a tarde inteira com o meu pé manco.

Não acendi a vela pro meu santo.

Mandei todos irem tomar, mas longe de mim;

e escrevi uma carta de amor.”

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Por | Contos Curtos | Sem comentários

“Esse cara tem um carro, mas não vai te levar a lugar nenhum.

Esse cara diz que manja tudo de arte, que gosta de cinema, mas nunca assistiu os saltimbancos trapalhões.

Só canta música que podem ser acompanhadas batendo palma.

Não sabe uma letra do Tim Maia.

Esse cara nunca roubou um livro e nunca roubou um beijo seu.

Eu sim!

Eu sei te pegar gostoso e te beijar de jeito. E também sei que só comigo você canta, depois que sai da cama.”