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“Havia coloridos diante dela, mas ela disfarçava em tons de sépia. Havia nanquim, Polaroides, tesoura sem ponta, e um corretivo que ela nunca chamava de “branquinho” porque essa palavra lhe lembrava “coisas de menino”. Ele sempre chamava os homens de meninos. Há muito não conhecia um que pudesse chamar de homem. Pelo menos não de seu. Afastou o pensamento e a franja dos olhos ao mesmo tempo com um gesto de cabeça. Caso se lembrasse de Tarantino, teria feito seu próprio efeito sonoro. Não tinha tempo para isso. O mundo andava moderno demais em volta dela, que era a que girava mais rápido no salão, assustando as menininhas e os menininhos de todas as idades. Ela gostava quando assustava. Ainda gosta quando assusta, com suas frases e bocas; porque “cara”, ela sempre teve a mesma. Infeliz de quem está triste no meio dessa confusão. Riu de si. De suas memórias e de suas ações atuais. Diria “traquinagens” se seu vocabulário fosse do tipo que revelasse descaradamente seus pensamentos. Deixou tudo em cima da mesa e foi pegar uma jaqueta. “Cansei” disse do nada, para ninguém, sobre nada realmente feito. Já era noite, e isso era motivo suficiente para não se estar onde quer que fosse. Então, ela não estaria em casa. Levou seus feitos e confusões para darem um volta e, quem sabe, não voltarem sozinhos. Nenhum dos três.”

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